Pasta de dentes natural… uma opção?

Cada vez mais existe tendência ao consumo de produtos “verdes” e à pasta de dentes natural.

O mercado biológico apresentou um crescimento exponencial nos últimos anos e os produtos de cosméticos e de higiene pessoal, incluindo a pasta de dentes, shampoo, cremes ou maquilhagem não são exceção.

Quem não ouviu falar da maquilhagem com origem em produtos 100% naturais?

Como em tudo, temos que compreender minimamente o que estamos a consumir. Todos sabemos que os produtos naturais e biológicos, podem muitas vezes estar inflacionados e na realidade conter alguns ingredientes não tão benéficos.

A grande vantagem da pasta de dentes natural é que, à partida, 100% dos ingredientes utilizados são de origem natural, o que significa que são seguros para engolir. E, por isso está indicada para crianças e bebés que são muito mais propensos a engolir acidentalmente a pasta de dentes. Além disso têm quase sempre sabores muito agradáveis e não contêm açúcar.

A pasta de dentes natural para crianças funciona da mesma forma que a pasta de dentes comum. É usada na escova de dentes para remover a placa e bactérias nocivas aos dentes e gengivas.

 

pasta de dentes natural

 

Ingredientes (possíveis) da pasta de dentes natural

A pasta de dentes natural, idealmente, deve conter ingredientes com eficácia comprovada ao longo do tempo e estabelecidos como seguros para consumo. Além disso os ingredientes devem ser produzidos de forma sustentável.

 

  • Laurilsulfato de sódio

Este é um agente espumante, comumente usado em artigos de higiene pessoal. Faz a pasta de dentes se espalhar mais facilmente através da boca para remover alimentos. A principal preocupação com lauril sulfato de sódio é que, em algumas pessoas, causa irritação, em particular ao redor dos olhos. Por vezes é feito de petróleo, mas também pode vir de fontes de plantas: óleo de coco ou óleo de palmeira. A versão usada em pastas dentífricas naturais é feita a partir de fontes de plantas. Para saber a segurança do lauril sulfato de sódio à base de plantas, podemos consultar o site americano EWG (Grupo de Trabalho Ambiental) http://www.ewg.org . Este grupo avalia a segurança dos produtos cosméticos e de higiene pessoal e classificam este componente entre o 1 e 2 que significa pouco risco, ou risco moderado relativamente à toxicidade em órgãos não reprodutivos. Para crianças muito novas, provavelmente seria mais seguro evitar o lauril sulfato de sódio. Para crianças mais velhas, que conseguem cuspir a pasta de dentes, não será tão arriscado o seu uso, desde que possa ter a certeza que a origem é a planta e não o petróleo. No entanto, se o seu filho tem alergias, o melhor será evitar.

  • Lauril Sarcosinato de Sódio

Este ingrediente é semelhante ao lauril sulfato de sódio e é usado com o mesmo propósito. É feito de cafeína ou creatina. Alguns fabricantes afirmam que é uma alternativa mais segura, mas a EWG classifica em 3, o que é de preocupação moderada. É aprovado pelo FDA https://www.fda.gov sob as seguintes condições: produtos para enxaguar ou em concentrações menores que 5%. Por esta razões talvez o lauril sulfato de sódio seja a opção mais segura.

  • Hidroximetilglicinato de sódio

Este é um conservante que algumas empresas produzem em artigos de higiene natural em substituição dos parabenos. No entanto há quem considere que não é mais seguro. A UE classificou-o como seguro para 0,5%, e é comumente utilizado em quantidades consideravelmente menores. No entanto, sob certas condições, pode libertar formaldeído e, portanto, pode ser potencialmente cancerígeno.

  • Sorbitol

Este é um álcool de açúcar, e muitas vezes é usado em vez de açúcar. Algumas pessoas dizem que é seguro, porque não é totalmente absorvido pelo corpo. No entanto, tem uma longa lista de possíveis efeitos colaterais, desde diarreia e edema até tonturas, e problemas respiratórios. A FDA não recomenda este adoçante para crianças menores de três anos.

  • Xilitol

O xilitol não está relacionado ao sorbitol, e normalmente é considerado mais natural. Como tem propriedades que previnem a cárie dentária é um excelente componente da pasta de dentes. No entanto também pode causar dores de estômago e diarreia em quantidades relativamente pequenas. É improvável que seu filho consuma essas quantidades engolindo pasta de dente durante a escovagem.

  • Sílica

A sílica é basicamente quartzo moído, que é uma pedra dura. Por esta razão, algumas pessoas estão preocupadas com a possibilidade de danificar o esmalte dentário. Outros dizem que, porque é usado em quantidades muito pequenas, é seguro, e que uma escova de dentes dura causaria mais danos. Não é prejudicial ao organismo.

  • Carragenina

Este ingrediente é derivado de algas vermelhas, e atua como um espessante de maneira similar à gelatina. Recentemente, existiu alguma controvérsia sobre o seu uso em produtos alimentícios e artigos de higiene pessoal, mas isso parece ser porque existem dois tipos de carragenina. Um tipo, conhecido como carragenina degradada, que pode causar inflamação do cólon. Estudos em humanos são até agora inconclusivos. Este tipo de carragenina também é conhecida como poligenina, e geralmente não é usada em produtos alimentares. A carragenina não degradada tem sido usada em alimentos há quase um século. É considerada segura pela FDA.

  • Fluoretos

Embora o EWG se oponha fortemente ao uso de flúor na água da torneira, defende o seu uso em pastas dentífricas. Como já vimos em artigos anteriores as opiniões sobre o flúor variam amplamente. Mas na minha opinião ele deve fazer parte da constituição da pasta dos dentes, com a consciência dos seus riscos e de como deve ser utilizado. Principalmente em Portugal continental em que a água não é fluoretada, a utilização do flúor em pasta dentífrica diariamente é fundamental para os dentes. Mas nunca esquecer de tomar especial atenção à quantidade de pasta colocada na escova de dentes.

 

Pasta de dentes natural em estudo

Existem novas pastas dentífricas que estão a ser desenvolvidas com bio-cálcio como alternativa. O bio-cálcio é baseado na caseína, que é extraída do leite e pode ser transferida para os dentes. Este tipo de pasta de dentes foi inicialmente desenvolvido na Austrália, e existem novos estudos em publicação agora sobre as alternativas. Mas os resultados ainda não estão clinicamente comprovados. Além disso, são muito mais caros do que pastas de dentes à base de flúor.

Outro estudo publicado em Julho de 2017 sugere a possibilidade de utilização de um biossurfactante obtido a partir de Lactobacillus paracasei como agente estabilizador em emulsões contendo óleos essenciais e extrato antioxidante natural. Os resultados foram muito promissores para o desenvolvimento de novas formulações cosméticas “verdes”, inclusive pasta de dentes natural.

A tendência é, por isso, eliminar os surfactantes à base de petróleo, e procurar a substituição de agentes tensoativos nestas formulações por surfactantes naturais, os biossurfactantes.

 pasta de dentes natural

Em resumo

  • A pasta de dentes natural poderá ser uma alternativa mais saudável à pasta de dentes comum. Mas, não nos podemos esquecer que na presença de doença, das gengivas ou elevado número de cáries dentárias etc… devemos ter em consideração uma pasta de dentes com fins terapêuticos.
  • Prefira soluções que contenham todos os óleos antibacterianos naturais para ajudar a eliminar bactérias e manter a boca saudável.
  • É mais segura para as crianças que engolem a pasta de dentes. Mas atenção se a pasta apresentar flúor na sua composição deve ter atenção à quantidade consumida.

 

Concordamos que a pasta de dentes natural pode ser uma excelente opção. No entanto deve optar por uma pasta de dentes que contenha flúor.

Em Portugal já existem algumas pasta de dentes natural à venda, mas existem muitas mais à venda on-line em plataformas internacionais. Leia os rótulos. Agora já sabe o que está a comprar!

Já aderiu à pasta de dentes natural? Conhece outros ingredientes?

Diga-nos qual prefere para o seu filho.

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